quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Ordem-desordem

______Esta semana a consciência de uma realidade bateu em minha porta. Para ser mais sincera, discou o número do meu telefone. Umas das minhas duas amigas mais próximas estava do outro lado d alinhas, contando que não me ligara antes pois estava no enterro de seu primo, que caíra nos trilhos do metrô. Depois de relatar-me toda a história, e das minhas tentativas de consolá-la, desligamos o telefone, e eu fiquei inconformada.
______Alguns dias depois, um frio estridente como o barulho do vento que trouxe consigo tomou conta da São Paulo. No metrô, pensava no primo de minha amiga, que caíra duas estações de distância da qual moro. Pensava no frio e no destino. Ouvi duas mulheres reclamando sobre o clima, uma falava que odiava sair de casa com tantas roupas, outra falava o quanto adorava o frio, por nos poupar do suor do calor. Eu sorria, concordando com a primeira delas.
______Foi quando percebi o quanto tudo isso é insignificante. A misteriosa e incontrolável força, que mantém nosso caótico mundo em uma incompreensível ordem-desordem, não se abala nem um pouco com tudo isso. Não importa que o primo da minha amiga estava reconstruindo sua vida, que estivesse se recuperando de uma difícil dependência química. ______Não se importava com quantas roupas a mulher tivesse de usar, nem com o suor que a outra sofreria no verão. Tampouco com a amigdalite que me assola no inverno. Assim tudo continuará sendo: com vias e mortes, com verões e invernos.
______Para mim, sempre foi difícil curtir o momento: tenho uma inclinação a sonhar com um futuro melhor, independente do quanto o agora está bom. Meu pai costumava falar que eu nunca estava satisfeita com nada. E foi nessa semana que eu percebi: posso querer sempre mais sim, desde que aproveite todo o meu caminhar até à desejada utópica perfeição.
04/07/2011