segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Desigualdade

______Todos se preocupam tanto com concentração de renda, com a pobreza de muitos e a riqueza de poucos, com a não ocorrência de uma reforma agrária, com o "sistema". Não me importo com essas coisas. Claro, acho errado a morte decorrente da fome, mas não vejo isso tudo como um problema político. Ouvindo os discursos de pessoas defendendo essa ou aquela corrente política, sempre me senti "fútil" por não dar a mínima para isso tudo.
______Nesse dia, não foi diferente. Aliás, foi pior. O professor de filosofia pediu-nos um desenho de uma situação que representasse um problema social. Enquanto meus colegas desenhavam sobre a desigualdade, miséria e indiferença dos favorecidos para com os "menos favorecidos", eu desenhei uma garota abandonando seu cachorro na rua. Me senti péssima, me importando com isso, enquanto milhares de pessoas vivem em condições deploráveis, enquanto o mundo está numa total falta de prosperidade.
______Depois de ficar triste e me sentir infantil, eu entendi. Agora, orgulho-me do meu desenho. Agora eu entendo o que eu mesma quis retratar. Para mim, doar terras, fazer caridade e colocar a culpa no governo é uma ilusão, um erro sobre outro. A real questão, não é como mudar isso, e sim, por que isso está ocorrendo. Minha singela resposta: falta de humanidade. Como eu gosto mais dos animais do que das pessoas, foi dessa forma como retratei a situação, tentando mostrar que os animais não fizeram nada para merecer isso, eles estão pagando pelas nossas atitudes imorais. E eu acredito que quando todos os seres se tornarem humanos e se preocuparem com uma vida pela qual ninguém luta, dando a devida importância aos sentimentos da minoria, e não com a imagem que isso vai custar, aí sim estaremos próximos da prosperidade e do equilíbrio material: quando alcançarmos a igualdade sentimental.