segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Carta Ao Leitor

______Meu objetivo não é prever o futuro e muito menos esbanjar auto confiança; longe disso. Só desejo esclarecer o meu propósito e compromisso para com as palavras.
______Não posso afirmar que o propósito de todos os que idolatram a comunicação, em todas as suas formas, seja o mesmo que o meu. Mas se eu fosse José de Alencar, em minha biblioteca no paraíso, e achasse livros onde críticos analisam a minha obra, afirmando que Iracema é, propositalmente, um anagrama de América, eu perderia as estribeiras. Este é um exemplo de muitos que, aos meus 16 anos, já me foram impostos durante a vida escolar.
______Não digo que isso esteja errado; pode até ser que quando o criador da "virgem dos lábios de mel" leu essa análise, pensou: "Finalmente alguém compreendeu a minha arte". Só acho que a partir do fato de que este autor está morto, toda e qualquer análise de suas citações será apenas uma teoria.
______Acredito que seja por isso que as pessoas da minha idade, em geral, não gostam de ler e/ou escrever. Pois na escola, é empurrado-nos goela abaixo que tudo de Machado de Assis é subliminar; que a escrita é pura figura de linguagem.
______Em literatura, estudamos os gênios, e, como já citado, algumas (e apenas algumas) dessas teorias podem ser verdadeiras. Mas qual a dificuldade de deixar que a arte apenas seja Arte, do modo que seu criador a deixou para nós? Eu, como uma estudante sonhadora e cronista aspirante, imploro para as poucas pessoas que atualmente lêem meus textos e (espero eu) para todos os que um dia lerão: analisem minha cidade, meu contexto histórico, meu signo, minha vida, as mensagens de meus textos; mas nunca, o significado de minhas palavras.