Buzinas e termos de baixo calão: é o que se escuta no trânsito de São Paulo. Inacreditavelmente, desde pequena eu adoro congestionamentos. Com o tempo, aprendi a não perguntar o motivo de tanto estresse dentro do carro para os meus pais, pois sempre ouvia: "Você não está vendo esse inferno de cidade caótica? Esse congestionamento infinito?!" Tudo aos berros, logicamente.
Tenho minha teoria. Paulistana de paixão e com muito orgulho - Paulistana "da gema" - acredito que o intenso tráfego de automóveis é um descanso mal interpretado que a nossa maravilhosa cidade nos proporciona. Com o inevitável excesso de automóveis, o tempo em que passamos no carro, sem fazermos nada, é um escape de todo o suposto estresse da vida urbana. Como se São Paulo dissesse: "Vocês não falam que não têm tempo para nada? Pois bem... Ouçam boa música, observem a cidade, conversem com apessoa ao seu lado e, principalmente, pensem na vida. Aliás, nas coisas boas da vida". Afinal, você já está no trânsito e já vai se atrasar, não é? Então ao menos faça esse atraso ser produtivo. E, além disso, o trânsito paulistano nunca é surpresa; é uma rotina.
Quem sabe eu pense assim por ainda não dirigir, e ser sempre a passageira. Mas, pelo menos por enquanto, tudo isso faz o maior sentido do mundo. E, quem sabe se alguns motoristas conseguissem pensar como eu, São Paulo seria bem menos "caótica".