quarta-feira, 4 de maio de 2011

Pela primeira vez

As primeiras vezes são tão importantes. São? Cria-se uma grande expectativa com as primeiras vezes, seja o primeiro beijo, o primeiro amor, o primeiro encontro, a primeira dança, a primeira transa, a primeira casa, a primeira cidade, a primeira viagem, o primeiro presente. E o beijo que nos deixa mais nervoso, que só de lembrar faz-nos arrepiar, aquele do qual nos lembramos para o resto da vida, no qual nos esquecemos do mundo para nos entregar, unicamente, não àquela pessoa, mas àquele beijo, aquele ato sincero e significativo. E o amor do qual nos lembramos para a vida inteira, seja o do colegial, o do trabalho, o último, o duradouro, o aventureiro, o diferente, aquele do qual tiramos mais lições, aquela pessoa que mais nos ensinou e aqueles momentos que sempre nos veem à memória. E o encontro para o qual mais nos arrumamos, o qual mais imaginamos e sonhamos, aquele em que prestamos toda a atenção do mundo ao gestos e palavras da pessoa, seja ela um amor antigo ou novo, um encontro que desejamos a tempos, ou é uma surpresa, mas aquele em que ao voltarmos para casa, flutuamos em nossos pensamentos e memórias, esquecendo da água fervendo para o chá, de dar atenção ao cachorro, e de tirar o sapato que machucou nossos pés durante a noite toda, e nem sequer percebemos. E a transa que rola com naturalidade, acontece com sintonia, em perfeita harmonia, seja selvagem ou calma, mas sempre carinhosa, desde que pensemos no outro e em nós mesmos, seja ela casual ou rotineira, com um amor ou com um estranho, mas depois da qual, mal conseguimos respirar, pelo êxtase. E a casa que mais nos traz boas recordações, seja com amigos, familiares, namorado, marido, amante ou sozinhos, aquela casa da qual sempre nos lembraremos com nostagia e saudade, mas uma saudade boa, aquela que não nos deixa angustiados, e sim com um suspiro no ar. E a cidade que nos faz suspirar o tempo todo com sua magia, aquela em que até os matemáticos se inspiram e fazem poemas, seja urbana, rural ou costeira, aquela cidade que cada um de nós lembra nitidamente, seja a de infância, da vida conjugal, da adolescência ou da faculdade, aquela cidade que nos abraça. E a viagem divertida, que sempre nos momentos de nostagia do grupo, ela é lembrada e revivida, e quando alguém não se lembra de algum detalhe, outra pessoa sempre os preserva fresco na memória. E o presente mais significativo, seja uma carta, algo grande, algo pequeno, palavras, um texto, uma música, algo caro ou simbólico, aquele presente que ao lermos, sentirmos, abraçarmos, ouvirmos ou simplesmente tocarmos, nossos olhos já se enchem de lágrimas, assim como ao lembrá-lo, aquele presente do qual nunca nos desfazeremos ou esqueceremos, que mesmo se for proibido, de um ex, estará lá, guardado naquela gaveta secreta. Tenho certeza que todos nós temos um desses, presente, viagem, beijo, amor etc. Será ele o primeiro? Sempre? Todas essas coisas especiais são sempre as primeiras? Talvez seja a hora de não nos prendermos tanto às primeiras experiências, e nem à nenhuma, mas sim dar mais valor àquelas que são mais significativas e importantes, seja a primeira ou última, aquela que nos faz suspirar.