sábado, 26 de março de 2011

O Aca Azul

Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente, principalmente nessas horas de indecisão. Ignorando toda aquela história de que "meu passado e minha história fazem quem eu sou hoje", eu realmente queria nascer de novo. Eu poderia evitar tanto sofrimento, e proporcionar à mim mesma tanta felicidade simples, pura e ingênua. Teria, definitivamente, ouvido mais à minha mãe. Respeitado e controlado meu tempo, ouvindo que sou nova demais, ao invés de me condicionar à ideia de que sou madura o suficiente para passar, precocemente, pelas coisas da vida. Teria aproveitado muito mais minha pré-adolescência, sem me preocupar com primeiro beijo e com companhia para a vida toda. Teria acreditado mais em destino e na vida por si só. Teria sonhado com o fato de que a vida constrói as pessoas. Quero minha infância de volta, essa época tão mais pura. Este ano minha vida está uma correria, e me dei conta de que, daqui em diante, assim será. Tento imaginar tardes do meu futuro, onde terei algumas tardes livres para criar raízes no sofá da sala, para persuadir amigos a deixar as obrigações um pouco de lado e ir ao cinema, de namorar no metrô horas a fio, de ficar entediada. Realmente desejo ter experiências dessas em meus dias de semana, e sempre sonharei com isso. Agora sinto que nunca tive juventude, que simplesmente passei da fase da infância de brincadeiras, para a fase de estudos e responsabilidades, onde as regalias, inconsequências e loucuras são presentes apenas nos filmes vistos em ambos períodos, sem fase de transição. Venho tentando um novo condicionamento, o de aproveitar o tempo que tenho. Sinto dó de mim, ao lembrar do ano passado como uma época distante e que parece inatingível, e estou tentando fazer, desse anos, uma fase diferente. Uma fase que construirá costumes e  prazeres presentes em toda a minha vida. Ao mesmo tempo, isso tudo se contradiz. Quero aproveitar ao máximo, mas sem abrir mão de minha liberdade. Como isso seria possível sendo a completa apaixonada que sou? Apaixonada pelo sofrimento que é amar, e amar o que for. Aliás, apaixonada pelo sofrimento que é se viciar, se viciar no que for. Quero deixar de ser obcecada por tudo, e ser, sim, interessada. Apesar de toda essa ideia parecer uma ilusão, é isso que eu quero, um ponto de equilíbrio o qual nunca atingi. Quero com que tudo valha a pena, e não para a pessoa que sou, mas para a adolescente de 15 anos. Quero ser condizente com a minha idade, quero ser normal, mesmo sem saber o que isso signifique. E se todos forem diferentes, eu quero ser diferente sendo normal.