Hoje é o primeiro dia que escrevo desde que voltei de viagem. Não esqueci de escrever, apenas não tive tempo. Tempo e coragem. Coragem de encarar tudo que eu aprendi e vivenciei durante meu exílio. Não estou nos meus melhores dias pós-Europa, mas dá para encarar. A correria do técnico e do médio, mais as dores de cabeça paralelas, está tudo muito puxado. Estou ficando cansada de prever exatamente o que está para acontecer, a próxima briga, a próxima discussão, e até seus motivos. Como já comentado antes, as angústias são as mesmas, apenas mudam de proporções. Tenho tentado curtir mais as coisas, e transformei meus sentimentos negativos em relação à pátria em total nacionalismo. Na viagem, vi como minha vida e meu país são perfeitos. Ainda não descobri o que me levou a pensar isso da minha vida, mas em relação ao país, eu pretendo nunca voltar minha palavra e muito menos meu conceito. Ah, sádica e ironicamente, fui assaltada. Viajando, roubaram nossas malas. Perdi a câmera, algumas roupas. O maior prejuízo foram a sanidade, paciência e a força. Ainda não cumpri minha promessa, vergonhosamente. Juro que hoje imprimirei o hino do Brasil. De fato, estou imprimindo agora. As coisas estão difíceis, como sempre. Quando decidi que escreveria agora, pensei que seria mais uma lamentação como as outras, acho que está mais para conformação. Não negativismo, conformação. Com o roubo, descobri que sei ser extremamente positiva e equilibrada para coisas do tipo, principalmente que envolvam valores materiais. Não me desesperei em relação ao roubo. Já questões emocionais... Bem, é só ver esse blog. Meu maior problema acho que tem sido ciúmes, de todos os jeitos possíveis. E por mais que eu tente melhorar isso, só piora. Li que para se deixar de ser ciumenta você deve nascer de novo. Para aprender a lidar com isso, é quase a mesma coisa: é um longo processo e blábláblá. Se eu fosse mais velha, digo, bem mais velha, seria mais fácil. Eu simplesmente poderia vir com o papo de "sou velha demais para aprender a lidar com isso, sempre fui assim, é meu jeito". Mas meus longos e tortuosos apenas 15 anos me proíbem. E se isso não bastar, ainda tem minha verdade absoluta: tudo tem jeito.