sábado, 22 de janeiro de 2011

Zumbiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiido

Hoje minha manhã foi conturbada. Aliás, manhã em horários do meu computador - horários brasileiros. Pois é da minha tarde francesa que estou me referindo. Acordei, não consegui falar, minha garganta está cada vez pior. Minha dor de cabeça ainda não foi embora, e com ''ainda'' me refiro à uns horríveis 5 dias. Sem falar no zumbido, e que zumbido. Escutar, durante tempo integral, um ''piiiiiiiii'' no seu ouvido, é a coisa mais irritante que pode te acontecer. Vi o clássico ''A Dama e o Vagabundo'', mas só até a metade, pois foi quando aconteceu a, até então, melhor coisa do meu dia. Vi 16 mensagens não respondidas no ebbudy, e era Ele, que Deus me permita. Comi um potinho de sucrilhos, sim aqueles do tigre igual ao do Brasil - ê saudades - mastigando os flocos de cereais com muito afinco, e engolindo com muito sofrimento. Agora estou comendo uma pêra, com o inconfundível formato de banana, por assim dizer. Como sinto saudades das frutas e do arroz - oh céus, nunca pensei dizer isso - aqui só comem pão, e eu adoro pão, mas calma, eles só comem pão italiano (que não passa nem na fase da mastigação, quem dirá sobre engolir) e pão de forma, coisa que eu não considero pão. Vou tentar ouvir música e ver se melhora o zumbido. Música Nacional, até isso, aqui, eu digo com letra maiúscula. Que saudades de sentir a língua portuguesa vindo até mim. E, ao mesmo tempo, de falá-la, em alto e bom som, os assuntos que eu gosto e que me interessam, com as pessoas queridas, que sempre fazem de 1 assunto, infinitos. Minha Melhor Amiga, como eu queria que ela tivesse modo de viagem. Sinto que, se ela estivesse assim, tudo seria diferente. E, ainda por cima, agora que eu finalmente tenho acesso - quase - irrestrito à internet, NINGUÉM entra. Só estão aquelas mesmas pessoas, para as quais você passa seu contato por consideração ao momento, e nunca fala com ela. Parece o destino querendo minha aproximação com as mesmas. Desculpa, Destino, Não vai ser dessa vez. Ou o zumbido está aumentando cada segundo mais, ou meu ouvido está ficando entupido. Meu Deus, estou dando valor à essa viagem, eu juro. Estou tentando melhorar e tudo mais, mas com esse frio, essa garganta, esses ouvidos e essa saudade, está difícil. Estive pensando, ainda bem que aqui são três horas adiantadas, e não o contrário. Acho que se fosse o contrário, minha ansiedade conseguiria aumentar. O apartamento em que estou é simplesmente adorável. Uma decoração fabulosa e muito aconchegando. Queria uma casa assim, para a minha vida de cônjuge. Mas com uma cozinha separada da sala, assim como a lavanderia do banheiro. Mas a decoração é magnífica. Estou lendo ''Comer Rezar Amar'', é simplesmente delicioso de se ler. Por coincidência - ou destino - durante esta viagem, estive justamente nas referências da autora em relação à Itália. Para ela, tudo era simplesmente maravilhoso. Visitei os mesmos lugares que ela, e nada. Simplesmente nada. Tirei fotos, pedi para que tirassem fotos minhas, ouvi músicas, cantei, consegui admirar alguns monumentos, mas só. Eu preciso do calor, do Sol, do português. Falando nisso, acho uma injustiça, a língua em que falo ser chamada de ''português''. Vou contar o que aconteceu para que eu chegasse à essa conclusão. Ontem, para virmos - eu e minha família - da estação de trem até o apartamento em que me encontro agora, pegamos um português como taxista. Céus, que língua horrível! Simplesmente não posso suportar que, uma das coisas que mais amo na minha vida - minha língua - , seja como o dialeto daquele homem. E o pior, é que para confirmar a minha certeza, ele simplesmente não parava de falar, sendo quase tão insuportável como meu zumbido. Acho que um dos motivos para ter odiado, é por ter entendido praticamente tudo. Saber o que ele falava, e simplesmente odiar. Acho que a nossa língua deveria se chamar ''Língua Brasileira'', por mais brega que isso fique. (Longos e aproximados 15 minutos depois) Voltei. Estou carente, e só tenho a minha própria atenção, então lá vai. Durante meus quinze minutos ausentes aqui, eu cortei mais pêra, e fiz um chá. O instrumento de esquentar chá que essa casa tem, é DIVINO. Você põe a água fria, aperta UM único botão, e em poucos 3 minutos, sua água está fervendo, e o aparelho está completamente desligado. O que isso significa? Que estou tomando mais chá do que nunca. Os chás daqui não são muito saborosos. Têm gosto de água quente suja. Sim, eu já bebi água quente suja e, se você já entrou naquelas minúsculas piscinas infantis, você também já tomou. Mas eu adoro o limão que eles têm - com eles, estarei me referindo aos europeus, em letra minúscula, é claro - se chama limão, não lembro o nome. Mas é delicioso, simplesmente não tem gosto de limão, e eu acho que deveria ter outro nome. Assim como mexerica e tangerina deveriam ter o mesmo nome. Enfim, o que eu também adoro deles, são os cubos de açúcar, que me lembram cavalos - nos desenhos infantis, os cavalos adoram cubos de açúcar. Quem sabe foi por isso que tive o sonho que tive. Sim, sonhei que tinha um cavalo voador, que era um hipogrifo, e com o passar do sonho, se tornou um cachorro com asas. Ele era lindo e super amigável. Falando nisso, também estou morrendo de saudades da minha cachorrinha, já sonhei com ela esses dias. Que ela estava completamente anestesiada, pois eu iria trazê-la para Paris comigo. Meus sonhos têm sido bem conturbados, mas há alguns deliciosos. Como os que estou no Brasil, e nunca saí de lá.