Tamanhos vazio e mágoa nunca me invadiram tão profunda e dolorosamente. Lembro de noites sofridas, angustiantes, tristes, irônicas e até sádicas. Mas nunca uma noite tão... Sozinha. Tão calma, monótona e magoada. Sinto que até a Lua me olhara com pena, com um aperto no coração. Não mais apartado que o meu, que se desmanchara com a força da mágoa e solidão ao seu redor. Sinto e sei, vejo e olho, me acostumarei com tal solidão. Será minha melhor amiga, minha confidente, meu porto seguro. Daqui para frente ela, pelo menos, estará para me segurar quando eu mergulhar, me entregar, exagerar e, fatalmente, cair. Ela me segurará. Abraço mais doloroso e vazio, mas ainda assim sera um abraço sincero e desejado, ao contrário da rejeição. Não me decepcionarei novamente, desde que não me entregue nunca mais; e assim será. Minha confiança está total, irrovogável, incondicional, eterna e completamente entregue nas suas mãos, mãos personificadas, frias, brancas como a neve e inexpressantes como um dia nublado, nas mãos da solidão. Não quero comentários, sentimentos, abraços, beijos, palavras, sorrisos, lágrimas, elogios, desculpas, justificativas e, muito menos, consolos. Quero muito mais que sinceridade, quero sinceridade instantânea, quero impulsos, quero silêncio.